Crise poderá ter efeito negativo nos imigrantes
O presidente da Fundação Calouste Gulbenkian disse ontem que o aumento do desemprego causado pela crise financeira vai obrigar "muitos dos imigrantes" que estão em Portugal a regressarem aos países de origem.
"Esta crise [financeira] vai traduzir-se em mais limitações no acesso dos imigrantes. Com o desemprego, muitos dos imigrantes vão ser obrigados a regressar aos países de origem", referiu à agência Lusa Emílio Rui Vilar, após a sessão de abertura da conferência "Podemos viver sem o outro? As possibilidades e os limites da interculturalidade".
De acordo com o presidente da Fundação, a crise "vai ter muitas consequências na área social e cultural", bem como nas ajudas humanitárias, devido à limitação dos meios facultados às Organizações Não-Governamentais (ONG).
Na opinião de Emílio Rui Vilar, o contexto financeiro actual veio tornar mais oportuna a realização da conferência, que decorre até hoje. "É preciso ver os efeitos desta crise em toda esta questão da mobilidade social e dos apoios aos países e às sociedades mais desfavorecidas", assinalou o presidente da Fundação, que organiza a conferência.
Apesar de adivinhar dificuldades nos apoios aos imigrantes, Emílio Rui Vilar garantiu que a Fundação vai manter os seus programas dirigidos aos imigrantes.
Adiantou ainda que a Fundação vai retomar o programa de reconhecimento das habilitações de mais 150 médicos imigrantes, à semelhança do que fez no primeiro programa destinado também a enfermeiros.
Questionado sobre o estado da interculturalidade em Portugal, o coordenador do programa Gulbenkian "Distância e Proximidade", António Pinto Ribeiro, disse ser bom "comparando com outras situações".
"Estamos bastante bem comparando com outras situações. Temos a sorte de não seremos um país que está muito atravessado por grandes conflitos culturais, étnicos e raciais, o que é muito positivo", observou.
António Pinto Ribeiro salientou também "uma coisa extraordinária" que foi Portugal ter feito "as pazes com os países das ex-colónias".
Lamentou, contudo, que existam em Portugal questões que surgem como sendo de natureza racial mas que são de natureza étnica ou decorrentes do conflito entre ricos e pobres.
Quanto ao tema da conferência "As possibilidades e os limites da interculturalidade", António Pinto Ribeiro considerou haver imensas possibilidades e também bastantes limites.
"Há imensas possibilidades para vivermos todos juntos. Mas há bastantes limites. Em todos os casos é bom que assim seja. Por um lado, porque de facto há questões de natureza cultural, de educação e de perspectivas de vida que são muito diferentes. Ninguém pode abdicar completamente do seu universo particular ou de grupo para aderir a outro universo que lhe seja completamente diferente. Seria o aniquilamento de um grupo em função de outro", referiu.
Mas, advertiu, "também não pode haver uma distância intransponível, senão o caos e os conflitos instalam-se".
António Pinto Ribeiro defendeu que se procure encontrar pontes de diálogo para uma melhor interculturalidade.

"Esta crise [financeira] vai traduzir-se em mais limitações no acesso dos imigrantes. Com o desemprego, muitos dos imigrantes vão ser obrigados a regressar aos países de origem", referiu à agência Lusa Emílio Rui Vilar, após a sessão de abertura da conferência "Podemos viver sem o outro? As possibilidades e os limites da interculturalidade".
De acordo com o presidente da Fundação, a crise "vai ter muitas consequências na área social e cultural", bem como nas ajudas humanitárias, devido à limitação dos meios facultados às Organizações Não-Governamentais (ONG).
Na opinião de Emílio Rui Vilar, o contexto financeiro actual veio tornar mais oportuna a realização da conferência, que decorre até hoje. "É preciso ver os efeitos desta crise em toda esta questão da mobilidade social e dos apoios aos países e às sociedades mais desfavorecidas", assinalou o presidente da Fundação, que organiza a conferência.
Apesar de adivinhar dificuldades nos apoios aos imigrantes, Emílio Rui Vilar garantiu que a Fundação vai manter os seus programas dirigidos aos imigrantes.
Adiantou ainda que a Fundação vai retomar o programa de reconhecimento das habilitações de mais 150 médicos imigrantes, à semelhança do que fez no primeiro programa destinado também a enfermeiros.
Questionado sobre o estado da interculturalidade em Portugal, o coordenador do programa Gulbenkian "Distância e Proximidade", António Pinto Ribeiro, disse ser bom "comparando com outras situações".
"Estamos bastante bem comparando com outras situações. Temos a sorte de não seremos um país que está muito atravessado por grandes conflitos culturais, étnicos e raciais, o que é muito positivo", observou.
António Pinto Ribeiro salientou também "uma coisa extraordinária" que foi Portugal ter feito "as pazes com os países das ex-colónias".
Lamentou, contudo, que existam em Portugal questões que surgem como sendo de natureza racial mas que são de natureza étnica ou decorrentes do conflito entre ricos e pobres.
Quanto ao tema da conferência "As possibilidades e os limites da interculturalidade", António Pinto Ribeiro considerou haver imensas possibilidades e também bastantes limites.
"Há imensas possibilidades para vivermos todos juntos. Mas há bastantes limites. Em todos os casos é bom que assim seja. Por um lado, porque de facto há questões de natureza cultural, de educação e de perspectivas de vida que são muito diferentes. Ninguém pode abdicar completamente do seu universo particular ou de grupo para aderir a outro universo que lhe seja completamente diferente. Seria o aniquilamento de um grupo em função de outro", referiu.
Mas, advertiu, "também não pode haver uma distância intransponível, senão o caos e os conflitos instalam-se".
António Pinto Ribeiro defendeu que se procure encontrar pontes de diálogo para uma melhor interculturalidade.
+ Informações:
Fonte: DA
Data: 2008-10-28 13:15:39
Visualizações: 175
Data: 2008-10-28 13:15:39
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