Reitores destacam esforço financeiro das universidades face a cortes orçamentais dos últimos anos
O Presidente do Conselho de Reitores (CRUP), Seabra Santos, destacou ontem o esforço das Universidades para ultrapassar cortes orçamentais dos últimos anos em reacção ao ministro Mariano Gago, que Domingo acusou as universidades de terem maus gestores.


"Recuso-me a alimentar polémicas e saliento o esforço que está a ser feito para encontrar o melhor caminho para proporcionar um ensino superior de qualidade aos estudantes e aos cidadãos que procuram os serviços das universidades", disse o presidente do Conselho de Reitores (CRUP).

Na véspera, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior considerou que existem maus gestores nas universidades públicas, mas disse manter total confiança na gestão autónoma destas instituições de ensino superior.

"Hoje, eu tenho confiança na universidade e na sua capacidade mesmo quando ela tem dificuldades de gestão. Esses dirigentes [maus gestores], eles próprios corrigirão essa atitude ou serão substituídos", disse Mariano Gago à agência Lusa, acrescentando que o Ministério do Ensino Superior "não deve" intervir directamente na gestão das universidades públicas.

O presidente do CRUP realçou ontem que por diversas vezes os reitores têm "apresentado números que comprovam que os problemas de financiamento que afectam as universidades decorrem exclusivamente da diminuição de financiamento público a que as instituições têm sido sujeitas desde 2005, que representa qualquer coisa como uma diminuição de 16 por cento do esforço nacional em matéria de financiamento público para funcionamento do ensino superior".

"Em percentagem do PIB [Produto Interno Bruto], a percentagem em que os orçamentos diminuíram em três exercícios, entre 2005 e 2008, foi exactamente de 16 por cento, quatro vezes mais do que o esforço concertado nacional de diminuição do défice público, que como se sabe foi de quatro por cento", disse o também reitor da Universidade de Coimbra, salientando que "não se pode dizer que as universidades não contribuíram para o esforço nacional de diminuição do défice público".

"Não só contribuímos para ele como somos solidários com esse esforço. Contribuímos aliás de uma forma quatro vezes maior do que aquilo que seria estritamente necessário", acrescentou, destacando que no momento difícil que o país atravessa "as universidades apenas pedem o necessário para que tenham um orçamento compatível com as respectivas necessidades ao nível de 2005".

"O senhor primeiro-ministro tem elogiado o esforço que as universidades têm feito e a boa gestão que lhes tem permitido compensar a diminuição de financiamento público. Estas palavras do senhor primeiro-ministro para nós são suficientes e ultrapassam as eventuais críticas que podemos ter de um ou outro ministro", realçou, salientando ainda que esta é uma opinião que representa todo o CRUP.

Seabra Santos chamou ainda a atenção para "o aumento das despesas obrigatórias das Universidades, como a obrigação de pagar as contribuições de funcionários para a Caixa Geral de Aposentações que não acontecia antes".

"Tudo isso somado representa, nos últimos três anos, uma diminuição de 20 por cento dos orçamentos reais, tendo as universidades recorrido a saldos de gerência. Mas há um momento em que estes saldos deixaram de existir e em que efectivamente as universidades, uma após outra, estão a entrar em ruptura financeira", afirmou.

"Isto já aconteceu no passado, em 2008 acontecerá novamente com outras, em 2009 outro grupo se seguirá e temos de encontrar um caminho alternativo e chamar a atenção para esta situação", concluiu.

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Fonte: DA
Data: 2008-11-11 19:56:53
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